segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Noel Rosa - Eternamente-

"Os que escrevem as canções de um país influenciam mais do que os que escrevem suas leis."
{Roberto Duailibi}


Fiz o Enem 2011 nesse final de semana, achei a prova bem elaborada e com questões inteligentes, cansativa, porém inteligentes. Acertaram ainda, na homenagem que fizeram ao centenário de Noel Rosa, dedicando duas questões com músicas suas, poeta e compositor carioca que morreu aos 26 anos de idade e deixou um acervo imensurável de canções que retratam a cultura brasileira, do morro, da boêmia, do samba da brasilidade. Noel se preocupava com a falta de referência dos brasileiros em relação a cultura nacional, e criticava veemente a cultura estrangeira e a forma com que o brasileiro aceitava ser "catequizado" por ela.
Na década de 70, Noel denuncia a influência estrangeira nos jovens das comunidades carentes, que estariam se afastando dos valores de seus antepassados,  o samba de partido compõe Não tem tradução  e  Eu não falo gringo, retomando o tema de crítica ao americanismo e à influência da língua inglesa na cultura brasileira.
Um cara visionário que há quase 100 anos fez canções, e quando escutamos parece que foram escritas ontem...

"Esse conformismo brasileiro que me irrita. Eu odeio o papo de gringo, porque esses gringos são encheridos não tinham nada que ficar botando minhoca na cabeça dos brasileiros. Agora eu tô aqui tendo de reclamar... E não consigo assimilar essa aceitação do que vem de "fora", como se tudo de lá fosse melhor do que aqui, não é verdade, me preocupa seriamente quais referencias teremos do Brasil genuinamente brasileiro no futuro..."
{ Noel Rosa}




                   EU NÃO FALO GRINGO
       
                  Eu não falo gringo
                  Eu só falo português (bis)
                  Meu pagode foi criado
                  Lá no Rio de Janeiro         Refrão
                  Minha profissão é bicho
                  Canto samba o ano inteiro
       
                  Eu falei prá você
                  Eu aposto um "eu te gosto"
                  Contra dez "I love you"
                  Bem melhor que hot‑dog
                  É rabada com angu   
                  Gerusa comprou uma blusa
                  Destas made em USA
                  E fez a tradução
                  A frase que tinha no peito
                  Quando olhou direito
                  Era um palavrão
        
                           Refrão
                  I speak for you
                           Refrão
        
                  Ou me dá um terno branco
                  Ou não precisa me vestir
                  Bunda de malandro velho

                  Não se ajeita em calça Lee

                  As vezes eu sinto um carinho
                  Por este velhinho chamado Tio Sam
                  Só nGo gosto é da prosopopéia
                  Que armou na Coréia e no Vietnã
       
                           Refrão (bis)
                   Tem gente que qualquer dia
                   Fica mudo de uma vez
                   Não consegue falar gringo
                   Esqueceu do português
                   Tu é dark, ele é hippie, ele é punk
                   Todos dançam funk lá no dancin'days
                   Mas cuidado com este paparico
                   O FMI tá de olho em você.
       
                           Refrão
                    Brasileiro eu falei

Noel de Medeiros Rosa (Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 1910Rio de Janeiro, 4 de maio de 1937) foi um sambista, cantor, compositor, bandolinista, violonista, e pensador brasileiro e um dos maiores e mais importantes artistas da música no Brasil.[1] Teve contribuição fundamental na legitimação do samba de morro e no "asfalto", ou seja, entre a classe média e o rádio, principal meio de comunicação em sua época - fato de grande importância, não só o samba, mas a história da música popular brasileira.

Em 1933, casou com a sergipana Lindaura, mas continuou com sua vida noturna e, como era de se esperar, a vida íntima do casal acabou em seus sambas. Tuberculoso, Noel tentou se curar no clima frio e seco de Belo Horizonte, em Minas Gerais, mas voltou ao Rio, em 1935, quando entre a saúde e a boemia do samba, escolheu mais uma vez esta última opção. Morreu aos 26 anos, em maio de 1937, deixando mais de 100 músicas nas quais “exalta a vadiagem e seus amores, fazendo da pobreza poesia e de Vila Isabel um reduto do samba”.


  Maria Gaduh, canta Noel Rosa
 



"Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura... Não domino nenhuma ciência, a não ser o samba e o amor, e um esta infinitamente ligado ao outro; o amor é o samba da vida!"

{Noel Rosa}
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre, You tube e Eu Rsrrs

Um comentário:

  1. "Quem nasce lá na Vila, nem sequer vacila, ao abraçar o samba..."(Feitiço da Vila) A Vila dessa canção de Noel Rosa é Vila Isabel, o bairro em que eu nasci, no Rio de Janeiro. Eu e ele. A escola em que eu estudei as séries iniciais do Ensino Fundamental, chamava-se "Noel Rosa"... Assim como eu, Noel Rosa é taurino, nascido no início de maio. Um carioca apaixonado pelas coisas do Brasil e pelo Rio de Janeiro. Não precisa dizer que sou fã incondicional de sua obra. Sei cantar quase todas as suas canções de cor, graças a minha avó que cozinhava e cantava todo seu repertório diariamente... Enfim, Noel e eu, tudo a ver!!! Adorei saber que ele foi tema do ENEM. Adorei saber que vc também tem isso em comum comigo: a admiração por Noel Rosa!!!

    ResponderExcluir