domingo, 15 de janeiro de 2012

Um lixo Chamado BBB

 

Crônica atribuída Luiz Fernando Veríssimo, sobre o “BBB” 
Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço…A décima terceira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil, encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanhoatentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 10 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros… todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza
ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB 10 é a realidade em busca do IBOPE..
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 10. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, masparece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os “animais” do “zoológico”: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a “não sou piranha mas não sou santa”, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!).
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?
São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..
Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais
saudável e digna.
Heróis, são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína, Zilda Arns).
Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a “entender o comportamento humano”. Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia,
alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? Poderiam ser construídas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa…, ir ao cinema…, estudar…. , ouvir boa música…, cuidar das flores e jardins… , telefonar para um amigo… , visitar os avós… , pescar…, brincar com as crianças… , namorar… ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.
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PS: acrescentei o “atribuída” na autoria, por não ter  percebido no texto o estilo crítico-jocoso do Luiz F. Veríssimo. Mas, independente da autoria, a crônica é muito boa e bastante crítica, razão pela qual a publiquei.

BBB 12 - A CRACOLÂNDIA DA TV BRASILEIRA

A grande e maligna epidemia do terceiro milênio, a mediocridade e hipocrisia humana. Sem pessimistas lamentos procuro apenas que o óbvio seja pertinente. A Globo atingiu o abismo da mediocridade e da ignorância, as palavras mal ditas, os olhares mal vistos a algo, ou alguém. Até que ponto é ético, até onde se pode ir pra vender um produto? Uma ideia? Porventura, sem experimentos não existem conclusões plausíveis. O Brasil diz estar mudando numa incrível velocidade, mas a grande verdade é que paira em uma certa essência de podridão que fede. A consciência é a mesma, acaba que os fantasmas dos modismos, generalismos, consumismo, conformismos imperam nos lares, professores, pais, médicos, faxineiros, governantes, a família toda, assistindo ao vivo um "estupro" em tempo real, o "estupro" da dignidade humana. As pessoas se dizem cada vez mais espertas, mas a outra grande verdade é que são ingênuas fantoches dos meios de comunicação. Certas vezes eu sou obrigado a me encarcerar em um redor ignorante que sobre análise comenta sobre os mais desnecessários assuntos e fazem coisas absurdas. E ai você vem com aquele discurso, o BBB, não é invenção nossa, não é exclusividade nossa. Não é, mas em lugar nenhum do mundo teve tanta aceitação do público. São milhões de facetas que se escondem e se perdem em vidas que não lhe pertencem. As vidinhas farsas esquecem virtudes, dignidade e talentos, esquecem do próprio meio que vivem, esquecem de si mesmos ou nunca se acharam, e em pleno mundo contemporâneo caem no tradicionalismo, na mesmice do pior , do lixo humano, filmado e reproduzido para milhões de lares Brasil a fora. Outro grande rude e frágil calcanhar de Aquiles do Brasil, da cultura ( ou a falta dela), quanta falta de leitura, quantos lamentos da parte minha parte, nessas horas, nesses momentos, me dá um tremenda vergonha de ser brasileiro. O que me preocupa não é o carinha que "fode" a mocinha no programa de tv, o que me preocupa realmente, é que enquanto você esta assistindo o "estupro" na tv, você não percebe, mas o Senado, a Câmara dos deputados "fudendo" você! Me desculpem, mas é meu ponto de vista! E hoje tem marmelada? Tem sim senhor... # Essa é minha opinião, humilde e modesta opinião, sobre o BBB e quem da ibope pra quilo. E hoje tem marmelada? Tem sim senhor...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Big Brother Brasil... Um culto a futilidade.

Big Brother, um culto à futilidade

Já faz alguns anos que tomei uma decisão irrevogável: não assistir mais ao reality show Big Brother Brasil. Não só por ser algo patético: ficar bisbilhotando um grupo de marmanjos e patricinhas confabulando noite e dia uns contra os outros, para ver quem embolsa o 1 milhão e meio oferecido pela emissora (que vai ganhar sabe-se lá quantas vezes isso em audiência). Para completar esse quadro patético, o "programa" é apresentado por um cara que costuma ser citado como um dos melhores repórteres do país, e - olhem só a responsabilidade - ainda seria poeta, o que daria um caráter praticamente literário a seus textos jornalísticos. .
Com mais de vinte anos nas costas, e uma experiência de vida considerada, entre outras, decidi que não tinha mais saco para tanta banalidade, futilidade, vaidade, egocentrismo e subestimação à inteligência coletiva decorrentes desse palco de mediocridades.
Nem para relaxar, como vez ou outra faço, depois de um dia estressante de trabalho, assistindo à novela das oito, esse tal de BBB me serve. Ao contrário, me deixa mais estressado ainda: só de pensar em dar ibope para um punhado de "roberts" oportunistas - e para uma emissora que não pensa duas vezes em investir em produções alienantes como essas - eu já sinto náuseas. Prefiro ligar o som, entrar na internet, assistir a um jogo, sair pra rua, dar uma volta com co cachorro, etc, naqueles 40 minutos necessários para desafogar a mente, a dar minha cota de audiência para esse "teatro do vazio" (em uma antialusão ao "teatro do absurdo"). Alguns amigos machistas insistem jocosamente: - Pô, mas tem cada gostosa, que justifica uma boas olhadas, aconselham-me. - Amigo, para falar a verdade, esse programa me tira até o tesão, retruco.
É verdade... Por mais bonitas que sejam, só as vejo como objetos minuciosamente escolhidos pela direção do "programa" para garantir a atenção da ala masculina. O mesmo vale para os marmanjos, selecionados segundo critérios "tomcruiseanos". Com raras exceções, tudo uma beleza plastificas.
Teria alguns outros argumentos, tão ou talvez mais convincentes que esses para manter-me distante a essa praga global, mas termino por aqui, satisfeito em manter meus votos, sabendo que essa estratégia de apelação ordinária, copiada pela Globo de outras paragens, não seduz certos indivíduos, e que talvez um dia não consiga seduzir tanto a ponto de ficar no ar. Talvez um dia, a sociedade, as famílias brasileiras percebam o quão malicioso, ruim e pejorativo a "carga cultural" que esse programa joga sobre seus filhos e sobre si próprios. Nesse dia feliz, é sinal de que teremos uma nação mais culta e educada, e porque não, civilizada.

PS:  Você não quer apenas assistir os programas. Você quer mesmo é invadir a TV como os assaltantes invadem uma casa?  Na verdade o que você quer é ver o que acontece no mundo dos que amam, dos que consomem, dos que existem, dos que se conectam. Você quer 'ver'; não sabe bem o quê ainda, mas quer ver o que te escondem, ver algo que te é negado, te provoque os sentidos, todos se possível. Você quer estar onde tem: iogurte, carro do ano,  jogador de "moicano", cerveja com mulher boa, carros sport, luxo no shopping virtual da tela, BBB, você quer morar lá dentro como uma rosa púrpura do Cairo."Mas, aí, você bateu na tela de vidro e não entrou, na emissora o porteiro te barrou, e você viu que teu sonho era impossível.  Que o que você quer, não é o que eles te oferecem, você quer é ser eles, não é ter a casa, o carro, a mulher, o homem, os filhos a viagem, você quer é a vida deles, e com isso você perde a sua. Você sabe tudo daquela "artista"  velha safada, que casou de novo com um garanhão de vinte e poucos anos, você sabe tudo sobre o ator que esta donte, quem separou de quem, quem esta triste, grávida, quem perdeu o filho... Mas não sabe nada de quem convive ai , do seu lado no seu mundo, da sua família, da sua faculdade , usa escola, seus amigos, seu trabalho, você não sabe... E porque você não sabe? Porque você é uma vergonha, é uma aberração, vive uma vida que não é sua, deixou levarem até sua alma . E foi ai nesse vacilo, que as televisões, que os programas, perceberam tua desesperada vontade de existir e te disseram: "Você pode entrar se for selecionado e sair daqui com o corpo e alma, com identidade, você pode nascer como o Bam Bam nasceu para a vida!" O reality show é o quebra-galho do sonho do  consumismo desenfreado.. O reality show é democracia de massas cobrando ingresso. Mas, aí, nova surpresa. O SBT quis mostrar a verdade cotidiana de gente famosa, de personagens 'de ficção' da mídia.  A record copiou  a "maquete", e tem dado certo, ao meno pra eles. Enquanto isso, a Globo mostrou a aura que pode aflorar de anônimas e banalíssimas pessoas. E o ibope subiu ao avesso. Descobriu-se que você não quer penas ver  famosos e gostosas, a revelando aos poucos sua 'verdadeira' face ou mesmo sua verdadeira bunda. Você quis ver uma beleza que vai aparecendo na convivência de gente boba como você, gente que chora sem motivo, gente que fala com boneco, gente que namora um "coqueiro" que briga, vomita, gente vazia como você. Mais do que ver 'sacanagem' ou 'cena primária', você descobre (e as TVs também) que quer ver o vazio, o  nada do cotidiano, descobre que quer o alívio da informação e o vazio da verdade. A verdade é vazia, não-transcendental, a verdade está na pausa, no tédio, na falta de assunto, você quer o alívio do nada. O sucesso do Big Brother esteve na verdade que se infiltrou quando nada acontecia, entre os momentos em que mentirosamente eles fingiam sofrer ou amar. O sucesso se deveu ao nada, ao tempo morto. Ali, no irrelevante, arde uma verdade profunda, sem nome, sem efeitos. Naqueles instantes, nasce alguma coisa que se parece com tua vida. Você quer ver o que acontece quando nada acontece. Na verdade, você quer ver quem é você.  E diante tudo você se percebe um inútil... Como eles são, assim é você... Inútil!