quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Big Brother Brasil... Um culto a futilidade.

Big Brother, um culto à futilidade

Já faz alguns anos que tomei uma decisão irrevogável: não assistir mais ao reality show Big Brother Brasil. Não só por ser algo patético: ficar bisbilhotando um grupo de marmanjos e patricinhas confabulando noite e dia uns contra os outros, para ver quem embolsa o 1 milhão e meio oferecido pela emissora (que vai ganhar sabe-se lá quantas vezes isso em audiência). Para completar esse quadro patético, o "programa" é apresentado por um cara que costuma ser citado como um dos melhores repórteres do país, e - olhem só a responsabilidade - ainda seria poeta, o que daria um caráter praticamente literário a seus textos jornalísticos. .
Com mais de vinte anos nas costas, e uma experiência de vida considerada, entre outras, decidi que não tinha mais saco para tanta banalidade, futilidade, vaidade, egocentrismo e subestimação à inteligência coletiva decorrentes desse palco de mediocridades.
Nem para relaxar, como vez ou outra faço, depois de um dia estressante de trabalho, assistindo à novela das oito, esse tal de BBB me serve. Ao contrário, me deixa mais estressado ainda: só de pensar em dar ibope para um punhado de "roberts" oportunistas - e para uma emissora que não pensa duas vezes em investir em produções alienantes como essas - eu já sinto náuseas. Prefiro ligar o som, entrar na internet, assistir a um jogo, sair pra rua, dar uma volta com co cachorro, etc, naqueles 40 minutos necessários para desafogar a mente, a dar minha cota de audiência para esse "teatro do vazio" (em uma antialusão ao "teatro do absurdo"). Alguns amigos machistas insistem jocosamente: - Pô, mas tem cada gostosa, que justifica uma boas olhadas, aconselham-me. - Amigo, para falar a verdade, esse programa me tira até o tesão, retruco.
É verdade... Por mais bonitas que sejam, só as vejo como objetos minuciosamente escolhidos pela direção do "programa" para garantir a atenção da ala masculina. O mesmo vale para os marmanjos, selecionados segundo critérios "tomcruiseanos". Com raras exceções, tudo uma beleza plastificas.
Teria alguns outros argumentos, tão ou talvez mais convincentes que esses para manter-me distante a essa praga global, mas termino por aqui, satisfeito em manter meus votos, sabendo que essa estratégia de apelação ordinária, copiada pela Globo de outras paragens, não seduz certos indivíduos, e que talvez um dia não consiga seduzir tanto a ponto de ficar no ar. Talvez um dia, a sociedade, as famílias brasileiras percebam o quão malicioso, ruim e pejorativo a "carga cultural" que esse programa joga sobre seus filhos e sobre si próprios. Nesse dia feliz, é sinal de que teremos uma nação mais culta e educada, e porque não, civilizada.

PS:  Você não quer apenas assistir os programas. Você quer mesmo é invadir a TV como os assaltantes invadem uma casa?  Na verdade o que você quer é ver o que acontece no mundo dos que amam, dos que consomem, dos que existem, dos que se conectam. Você quer 'ver'; não sabe bem o quê ainda, mas quer ver o que te escondem, ver algo que te é negado, te provoque os sentidos, todos se possível. Você quer estar onde tem: iogurte, carro do ano,  jogador de "moicano", cerveja com mulher boa, carros sport, luxo no shopping virtual da tela, BBB, você quer morar lá dentro como uma rosa púrpura do Cairo."Mas, aí, você bateu na tela de vidro e não entrou, na emissora o porteiro te barrou, e você viu que teu sonho era impossível.  Que o que você quer, não é o que eles te oferecem, você quer é ser eles, não é ter a casa, o carro, a mulher, o homem, os filhos a viagem, você quer é a vida deles, e com isso você perde a sua. Você sabe tudo daquela "artista"  velha safada, que casou de novo com um garanhão de vinte e poucos anos, você sabe tudo sobre o ator que esta donte, quem separou de quem, quem esta triste, grávida, quem perdeu o filho... Mas não sabe nada de quem convive ai , do seu lado no seu mundo, da sua família, da sua faculdade , usa escola, seus amigos, seu trabalho, você não sabe... E porque você não sabe? Porque você é uma vergonha, é uma aberração, vive uma vida que não é sua, deixou levarem até sua alma . E foi ai nesse vacilo, que as televisões, que os programas, perceberam tua desesperada vontade de existir e te disseram: "Você pode entrar se for selecionado e sair daqui com o corpo e alma, com identidade, você pode nascer como o Bam Bam nasceu para a vida!" O reality show é o quebra-galho do sonho do  consumismo desenfreado.. O reality show é democracia de massas cobrando ingresso. Mas, aí, nova surpresa. O SBT quis mostrar a verdade cotidiana de gente famosa, de personagens 'de ficção' da mídia.  A record copiou  a "maquete", e tem dado certo, ao meno pra eles. Enquanto isso, a Globo mostrou a aura que pode aflorar de anônimas e banalíssimas pessoas. E o ibope subiu ao avesso. Descobriu-se que você não quer penas ver  famosos e gostosas, a revelando aos poucos sua 'verdadeira' face ou mesmo sua verdadeira bunda. Você quis ver uma beleza que vai aparecendo na convivência de gente boba como você, gente que chora sem motivo, gente que fala com boneco, gente que namora um "coqueiro" que briga, vomita, gente vazia como você. Mais do que ver 'sacanagem' ou 'cena primária', você descobre (e as TVs também) que quer ver o vazio, o  nada do cotidiano, descobre que quer o alívio da informação e o vazio da verdade. A verdade é vazia, não-transcendental, a verdade está na pausa, no tédio, na falta de assunto, você quer o alívio do nada. O sucesso do Big Brother esteve na verdade que se infiltrou quando nada acontecia, entre os momentos em que mentirosamente eles fingiam sofrer ou amar. O sucesso se deveu ao nada, ao tempo morto. Ali, no irrelevante, arde uma verdade profunda, sem nome, sem efeitos. Naqueles instantes, nasce alguma coisa que se parece com tua vida. Você quer ver o que acontece quando nada acontece. Na verdade, você quer ver quem é você.  E diante tudo você se percebe um inútil... Como eles são, assim é você... Inútil!

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