segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Dilma encara seu inquisidor pela segunda vez

Um depoimento emocionante. Sincero e profundo. Na coragem está o Amor, só quem ama encontra a coragem. Dilma amava uma causa, acreditava nela e lutou, pondo sua vida na ideologia de uma país mais justo e democrático. O senador Agripino Maia, viu naquela entrevista (CPI), uma oportunidade única, e tentou sem sucesso constranger a então Ministra chefe da casa civil, citando uma entrevista onde ela admitia, "sim, mentia, e mentia muito!" Perdeu a oportunidade de ficar calado, pois a presidente chegou a ficar com a voz embargada, mas em um suspiro só, ela deu a resposta ali, na lata. Dilma é uma guerreira, é honesta, forte, determinada , venceu batalhas de todos os tipos que  se possa  imaginar, e foi coroada pelo destino, chefe da nação brasileira, esta tendo uma oportunidade única de corrigir erros de meio século de injustiças sociais, e isso, e só isso, é suficiente para que Ela, Dilma Rousseff, seja respeitada por todos nós.

Dilma x Agripino Maia: uma resposta memorável:
Abaixo, a transcrição da resposta de Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil do governo Lula, ao senador José Agripino Maia* (DEM-RN), em audiência realizada em 7 de maio de 2008 pela Comissão de Infraestrutura do Senado.

[* 1] Vale observar que Agripino Maia foi prefeito biônico de Natal durante a ditadura militar, acusado de inúmeras torturas praticadas naquela época 1979 a 1982.

DILMA ROUSSEFF: “Qualquer comparação entre a ditadura militar e a democracia brasileira, só pode partir de quem não dá valor à democracia brasileira. 
Eu tinha 19 anos, fiquei três anos na cadeia e fui barbaramente torturada, senador. E qualquer pessoa que ousar dizer a verdade para os seus interrogadores, compromete a vida dos seus iguais e entrega pessoas para serem mortas. Eu me orgulho muito de ter mentido senador, porque mentir na tortura não é fácil. Agora, na democracia se fala a verdade, diante da tortura, quem tem coragem, dignidade, fala mentira. E isso (aplausos) e isso, senador, faz parte e integra a minha biografia, que eu tenho imenso orgulho, e eu não estou falando de heróis. Feliz do povo que não tem heróis desse tipo, senador, porque agüentar a tortura é algo dificílimo, porque todos nós somos muito frágeis, todos nós. Nós somos humanos, temos dor, e a sedução, a tentação de falar o que ocorreu e dizer a verdade é muito grande senador, a dor é insuportável, o senhor não imagina quanto é insuportável. Então, eu me orgulho de ter mentido, eu me orgulho imensamente de ter mentido, porque eu salvei companheiros, da mesma tortura e da morte. Não tenho nenhum compromisso com a ditadura em termos de dizer a verdade. Eu estava num campo e eles estavam noutro e o que estava em questão era a minha vida e a de meus companheiros. E esse país, que transitou por tudo isso que transitou, que construiu a democracia, que permite que hoje eu esteja aqui, que permite que eu fale com os senhores, não tem a menor similaridade, esse diálogo aqui é o diálogo democrático. A oposição pode me fazer perguntas, eu vou poder responder, nós estamos em igualdade de condições humanas, materiais.
Nós não estamos num diálogo entre o meu pescoço e a forca, senador. Eu estou aqui num diálogo democrático, civilizado, e por isso eu acredito e respeito esse momento. Por isso, todas as vezeseu já vim aqui nessa comissão antes. Então, eu começo a minha fala dizendo isso, porque isso é o resgate desse processo que ocorreu no Brasil. Vou repetir mais uma vez:
Não há espaço para a verdade, e é isso que mata na ditadura. O que mata na ditadura é que não há espaço para a verdade porque não há espaço para a vida, senador. Porque algumas verdades, até as mais banais, podem conduzir a morte. É só errarem a mão no seu interrogatório.
E eu acredito, senador, que nós estávamos em momentos diversos da nossa vida em 70.
Eu asseguro pro senhor, eu tinha entre 19 e 21 anos e, de fato, eu combati a ditadura militar, e disso eu tenho imenso orgulho.”





" É emblemática a imagem á cima. Enquanto a ré se mantém altiva , com olhar forte e desafiador, os algozes escodem o rosto covardemente, certamente com vergonha do que viriam a fazer com ela, e o que fizeram ao povo brasileiro."
Ex marido de Dilma Roussef...



[* 1]"Não se pode negar a história, sei que ela é feita pelos vencedores e que as versões às vezes valem mais do que os fatos, mas, a verdade é essa, José Agripino Maia não pode desvencilhar a sua história política da ditadura militar, ele é fruto político, por obra e graça do regime militar de seção (aquele que torturava), como se diz por aqui, ele é um filhote da ditadura. " 
{Professor Antonio Capistrano (63): foi vice-reitor e reitor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte; }


PS:  O Jornalista Ricardo Amaral lança no próximo dia 15 o livro sobre a trajetória da presidenta Dilma Rousseff.
A obra é intitulada “A vida quer é coragem” e será lançada pela Editora Primeira Pessoa.
O lançamento acontece na Livraria da Travessa, no Rio de Janeiro.

Confira a capa do Livro;

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