terça-feira, 13 de setembro de 2011

Quem sair por último, apague a luz e feche a porta!

PS: Texto escrito em 2009, por mim, mas é de uma atualidade absurda!


“ Quando você foi embora fez-se noite em meu viver, forte eu sou, mas não tem jeito, muito eu tenho pra contar.”
( Elis Regina, canta Milton Nascimento)

“ Quem sair por último, apague a luz!
Quando você foi embora, eu sabia que ali também ia um pouco de mim, pouco não, a metade de mim, era minha primeira morte. O que já haviam falado sobre o amor e seus finais, começou a fazer sentido . E eu olhei pra você, nunca a tinha sentido tão distante, embora tivesse na minha frente, e tão longe de mim. Milhares de pessoas poderiam passar por minha vida, milhões talvez, mas ninguém nunca, nunca fechará a porta que você deixou aberta. Te amei de uma forma tão intensa e absurda que nem por você, nessa, e caso exista, em outras vidas sentiria o mesmo amor de novo. Nesse instante pessoas estão vivendo seus dias aparentemente numa boa, amando. Não sabem elas o risco que correm. Porque não me ensinaram a descontruir um sentimento, e eu descontruí você de dentro de mim, sosinho, as ilusões, os sonhos, tudo, descontruí um personagem que jurei ser forte, nunca fui. Não que eu tenha me apaixonado por uma fraude, mas você também nunca foi exemplo de autenticidade, e nem era isso que eu procurava; alguém autêntico. Ok, é natural que, numa aproximação, as pessoas "vendam" mais suas qualidades que defeitos. Ninguém vai iniciar uma história dizendo: muito prazer, eu sou arrogante, preguiçosa e cleptomaníaca. Nada disso,mas em algum momento é preciso ser honesto. “Os desonestos do amor são aqueles que fabricam idéias e atitudes, até que um dia cansam da brincadeira, deixam cair a máscara e o outro fica ali, atônito.” E esse outro era eu.
Me apaixonei por uma falsária, tive que descontrui-la, para me desapaixonar. É um sufoco. Exigiu que eu reconhecesse que fui seduzido por uma fantasia, me deixei enganar, confundi amor com outros sentimentos, e que o meu desejo de amar era mais forte que sua astúcia. Significou eu encarar a realidade que você, por quem eu dediquei um sentimento nobre e verdadeiro, não chegou a existir, tudo não passou de uma representação – e olha, talvez até não tenha sido por mal, pode ser que você não conheça a si mesma , por isso se inventa a cada dia uma personagem diferente.
A gente resiste muito a aceitar que alguém que amamos não é, e nem nunca foi, o que esperavamos que fosse. Que sorte quando a gente sabe com quem está lidando: Caiu meu castelo de areia e eu com caí com ele. Pulei de cabeça, sem antes verificar se havia àgua no poço. Não havia! “Cai no poço, quem me tira? Ninguém”. Depois de você não fui inteiro de novo, sou uma aberração, um ser dilacerado, um homem faltando pedaço, não dá pra mudar, não dá pra voltar atrás ( e nem posso). Tome mais cuidado, da próxima vez não se esqueça, quem sair por último apague a luz e feche a porta ! "

Vander Miguel

“Só nós dois sabemos que não se trata de sucesso ou fracasso. Só nós dois sabemos que o que se sente não se trata — e é em nome deste intratável que um dia nos fez estremecer que agora nos separamos. Para lá da dilaceração dos dias, dos livros, discos e filmes que nos coloriram a vida, encontramo-nos agora juntos na violência do sofrimento, na ausência um do outro como já não nos lembrávamos de ter estado em presença. É uma forma de amor inviável, que, por isso mesmo, não tem fim.”

[Martha Medeiros]

Um comentário:

  1. Você não está sozinho nessa. Está assim de gente faltando um pedaço, porque alguém arrancou... E, se é que serve de consolo, as pessoas vão se recompondo com enxertos encontrados pelo caminho: uma paixãozinha aqui, uma aconchego ali... No final de certo tempo, a gente está inteiro de novo, formado por partes diferentes, costurado, cheio de cicatrizes e, vai entender, sempre pronto pra amar mais uma vez!!! O coração da gente é viciado em amor. Ainda bem...

    ResponderExcluir