quarta-feira, 31 de agosto de 2011

" É a diferença que move o mundo!"


 



Hoje de manhã 01/09/2011, quando estava indo para a academia na minha bike, vi uma cena, típica dessas histórias, que a gente só vê ( lê) naqueles e-mails de correntes chatas, do tipo passem pra frente.  Mas isso aconteceu comigo, e não é historinha não.Tem um campinho de várzea aqui no meu bairro, onde ficam um monte de crianças de 08 a 15 anos mais ou menos, jogando bola, e tem um menino que mora aqui perto , que é cadeirante e fica sempre na beira do campo assistindo, olhando tudo,  meio inconformado com a condição que a natureza lhe impôs, imóvel . Resolvi parar e conversar com ele:
 - Ei, e ai, tudo bem "Josim"? Perguntei.
- Tudo! Respondeu  ele secamente.
Fui direto ao assunto.
- Por que você não esta jogando também?
Ele me olhou incrédulo, e disse:
- Você tá me tirando né? Tá vendo que eu sou "deficiente" não?
- Não! Agora que você falou, que eu reparei.
-Ele começou a empurrar a cadeira de roda, saindo de perto de mim.
Eu desci da minha bicicleta e segurei a cadeira dele, virei ela pro meu lado, olhei pra ele e perguntei:
- Se eles te deixarem jogar, você joga?
- Não tem como cara, qual a parte de que eu sou "aleijado" que você não entendeu? Me deixa em paz!
Disse visivelmente irritado.
  E foi saindo pro outro canto do campo.
 Fui até  um menino esguio, branco e magricelo, que seria  talvez, o "capitão do time",  Alex é o nome dele, argumentei  sobre a possibilidade de deixar Josias, ou "Josim" como costumam chama-lo, a jogar.  Ele disse que não, que seria perigoso! Que não tinha possibilidades nenhuma dele entrar pro time, e disse que mesmo que ele aceitasse o resto dos jogadores reprovariam. Foi taxativo. - Sem chances Vander, bonita sua atitude, mas sem chances nenhuma mesmo, é até uma questão de bom senso!
Concluiu, aquele simpático garoto,  até inteligente pela idade dele, uns 14 anos se não me engano!
Eu como um bom ariano teimoso que sou, esperei o final do primeiro tempo, quando todo mundo estava indo sentar na beirada do campo, ainda no calor da partida, que tinha terminado em 4x4.  Cheguei e perguntei pra todo mundo ao gritos:
- Genteeeeee, oh genteee, um minuto por favor! Quero saber o seguinte? O que vocês acham de deixar o "Josim" jogar o segundo tempo?
 Silêncio por um segundo, depois, uns riram, outros resmungaram, mas a maioria disse não. Perguntei:
Por que gente?.
- Porque simplesmente não existe em nenhum time do mundo um cadeirante jogando junto com jogadores normais. Tem time por ai que aceita ele, onde ele pode jogar com cadeirantes igual a ele! Falou um gordinho lá, que nem me lembro o nome.
Respondi: - É uma pena que vocês se considerarem "jogadores normais", porque os maiores jogadores da história foram "anormais",  fizeram jogadas "anormais" e pensaram diferente dos "normais". É uma pena mesmo! Esperava mais de vocês, sai de lá triste pela minha tentativa frustrada!
Fui pra academia, quando voltei, passei perto do campo de novo, e pra minha surpresa lá estava lá estava o "Josim" no gol, empurrando sua cadeira de um lado pro outro. Quase tive um infarto! O Alex, o garoto inteligente que me referi , fez sinal de positivo com o dedo pra mim, e riu.
Perguntei a um menino que estava "na de fora", assistindo o jogo e gritando altos palavões, vai lá p@!%$*&,  Marca ele c@#!%&*, vai tomar no... $#@& viu!  Perguntei - Ei, ei, quanto que tá o jogo? Tamo perdendo de 9x4, puta que pariu, O Alex foi inventar de pôr o  cadeirante no gol deu nisso, tomamos 5 de uma vez só, o menino não agarrou uma!
Sai de perto, e vim embora pensando, meu Deus do céu! Como uma atitude pode mudar uma vida. Até as crianças tem dificuldade de aceitar as diferenças! Devíamos ensina-las que o que torna as pessoas interessantes, são justamente o fato de serem diferentes dos demais!
Pra mim ficou o sorriso do "Josim" no gol, uma alegria, uma felicidade que até emocionante. E a atitude do Alex, o dono da bola, que quis ser o primeiro time do mundo a ter um cadeirante jogando junto com jogadores "anormais".
 É uma besteira sem tamanho, beira a insanidade querer que todas as pessoas do mundo sejam igual a nós, pensem igual a nós, amem, andem, se vistam, gostem, corram, vivam igual a nós! O que todas as pessoas tem em comum? A diferença. Você não é obrigado a gostar de ninguém, mas é obrigado a respeitar a diferença do outro. Existem mais de 6 bilhões de pessoas no mundo, e seria uma chatice sem mensura querer que todos fossem iguais.

"A pluralidade é a condição da ação humana pelo fato de sermos todos os mesmos, isto é, humanos, sem que ninguém seja exatamente igual a qualquer pessoa que tenha existido, exista ou venha a existir. A diferença não pode ser uma parede,mas sim uma ponte que liga as pessoas umas nas outras "{~ Leon Tolstói ~}



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